segunda-feira, 17 de maio de 2010

Me deixei estar


Apenas olhando daqui sinto como se estivesse dentro das ondas, mas estou em terra firme,
eu gostaria que o medo estivesse debaixo de meus pés, pois estou em equilíbrio com a natureza.
Dentro de um tubo de água, como deve se sentir aqueles que experimentam disso?
Como sentir medo do que é tão maravilhoso para mim?
Os pés reconfortam-se na areia da praia, a vista vai longe até onde se acha ser o fim, na maré agitada,
gostaria que o vento não me trouxesse os grãos de areia, eles ferem meus olhos e me impedem de enxergar a plenitude desse lugar.
O sol me dá mão e me leva até término das ondas, quando elas se desfazem sobre meus pés e voltam para o mar salgado, retornando como novas ondas.
Sinto que não posso me controlar, apenas concorde comigo, que quando estamos em frente a maravilhas que não nos permitem falar, quando abrimos os braços e sentimos o abraçar da ventania envolvendo nosso corpo, diga-me, tem sensação mais doce que ser livre?
Poder sorrir sem motivo, sorrir apenas porque está num dos lugares que mais aprecia, apesar do medo das enormes ondas que estão se formando bem distante de meus olhos, parecendo cada vez maiores e mais assustadoras, me sinto como uma criança, esse medo se faz maior pois não sei nadar, não poderei estar cercada pelo mar, mas um dia estarei.
A noite quando não há luar nem estrelas para me saudar, sempre haverá aquela porção enorme de mar para lhe fazer ficar, é lá que quero estar, deixando meus pensamentos perdendo-se na escuridão que olha para as águas calmas, perder-se assim é encontrar o que há de melhor: a paz interior, paz de espírito.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

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Sinto que enquanto estou em silêncio meu pensamento trabalha um pouco louco, sinto que o mundo todo vai parar dentro de você, ou que ele percorre por dentro de suas veias, você está tão presente em minha mente que já não consigo guardar os nomes das pessoas, os dias da semana, desaprendi a aprender pequenas coisas, como não saber fazer o café, ou não conseguir arrumar a cama, não encontro as coisas que guardei a cinco minutos atrás, e a culpa é sua, poderia me dar descanço de sua voz em meus ouvidos e seus olhos preenchendo minhas loucuras. Eu preciso de um tempo longe, e gostaria que tivéssemos uma conversa franca sobre isso, porque tudo pode ser resolvido numa conversa, só ter calma e paciência...
Não consigo mais olhar o telefone ou qualquer coisa a minha volta, meus cabelos ainda estão cheios dos seus afagos, e depois de ligar para você sugerindo uma conversa eu compreendi que nem tudo se resolve falando francamente, o que é uma verdadeira porcaria. Eu tentei, eu tentei, e agora desisto disso, estarei daqui a alguns dias me mudando desse apartamento odioso, e eu aprenderei a estar são, como já sinto que estou, pelo menos penso que sim por já estar desejando que eu esteja livre de qualquer tortura mental que se remete a ti. Não importa que eu me mude, o lugar que eu sempre irei querer morar é no seu coração. As lembranças serão apagadas, um delete eterno em você, um end para nossos beijos, uma faca afiada para as vezes que eu estiver me traindo pensando novamente em como era bom aquelas momentos em meu quarto, na luz do sol tocando-lhe o rosto e fazendo de suas feições algo angelical, puro e intocável...
Algo que só eu via, e agora estou cego, sem ver-te, sem amar-te.

Pensamentos no escuro.

Estamos no escuro, eu e todas essas vozes que gritam por luz, não sei se canto baixo para que todos os pares de olhos se fechem ou se apenas digo que medo do escuro é coisa de criança, mas elas são crianças. Bom, eu posso entende-las bem, sempre é em suas piores noites, aquelas em que os olhos não querem fechar, embora estejam cansados, ficam assim semi cerrados sem paciência para olhar o teto branco. A vista cansada vaga pelo quarto e vê formas estranhas se movendo no ambiente, a sensação de pavor o sufoca e todo o seu sono passa, mesmo assim você se força a fechar os olhos tendo em mente que o que quer que esteja no quarto não vai chegar até você, não lhe fará mal; mas isso é só uma ilusão, na verdade sabe-se que o que está ali é ruim mesmo não sabendo porque, você não confia na sua tentativa de otimismo, cobre-se com o lençol fino, ainda consegue ver a luz que entra pela janela fazendo sombra na parede, então você percebe que é só a luz do porte e nada mais... Isso deve já ter acontecido com várias pessoas, mas e quando esse fato ocorre com frequência? Como se você esquecesse que é a luz dos portes fazendo movimentos nas sombras no quarto? Calma e paciência consigo mesmo é a chave para conseguir não se sentir muito tolo, muito ridículo. Terá sempre alguém que vá segurar minha mão e dizer que está tudo bem, que isso não é tão ruim assim, depois deverá dar uma leve risada, entregando que acha isso bem ridículo, mas se não houver ninguém para segurar minha mão eu irei segurar meus medos, eu mesma vou conseguir, não deve ser tão difícil, talvez a escuridão não seja assim tão ameaçadora quando acende-se dentro de si uma luz eterna, levando embora toda preocupação, repouso junto as crianças na cama, e eu posso ser a luz delas na escuridão, segurando seus pequenos dedos, me sinto tão confiante e menos tola.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

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Sempre precisarei ser delicado para poder participar do que você diz, na verdade teria-se que pensar muito bem antes de não dizer algo estúpido, eu deveria apenas não dizer nada. Estou aqui parado ouvindo você, concordar com a cabeça ou dizer ''sim, claro'', ou ''claro, tem razão'', e por fim, ''claro, claro'', parece bem mais estúpido do que não saber o que dizer. Não sei como me portar, eu deveria tentar olhar diretamente nos olhos dela, sim talvez ela pense que estou entendendo o que ela diz, ou esteja achando que tudo que está dizendo não me interessa, mas é mentira, por favor escute meu pensamento agora, é mentira, eu estou adorando ser seu ouvinte, por mais que eu não entenda nada da sua psicologia, não interessa, errei desculpe, claro que interessa, porém não é algo que minha mente possa organizar agora. Talvez não faça sentido algum, mas eu preciso de alguém correto na minha vida agora, e você se encaixa nisso, por mais que o certo esteja sempre se inclinando para o errado, como eu disse nada faz sentido. É só um pensamento solto, palavras escorregadias, o certo envolto no errado, precisando do errado para estar certo, e estou tão longe de me achar digno de seu mundo perfeito, mas estou chegando, tal qual como um vagabundo, roubar-lhe dessa vida ilusória, ou tentar pelo menos...
Não estou mais ouvindo o que ela diz, sua boca apenas mexe-se, como se estivéssemos num filme e alguém que assiste apertou o botão mudo. Agora estou envolto em pensamentos, não me importo muito em concordar ou discordar de alguma coisa, eu apenas quero ficar um pouco com meus pensamentos tolos. Gostaria de sair do pacato, do morno, essa vida não me cai bem, gostaria de ouvir uma risada macia, mas tudo é silêncio dentro de mim; Os movimentos na sala aos poucos parecem tornar-se audíveis, já estão todos gritando por um feliz ano novo, não todos, apenas eu estou prendendo-me a solidões passadas.
Levanto-me tomando Marie pelo braço, num sorriso gentil, pergunto se ela não quer uma conversa mais informal, recebo um sorriso constrangido, tudo bem não foi tão ruim ser sincero.
Os fogos de artifício quebram a escuridão do céu, eu sou a imensidão negra do céu na sua noite festiva, lá estou eu fechado para tudo, estávamos olhando os fogos, quando Marie repousa sua mão na minha, estive certo de que ela sabia o que se passava em minha mente, e em minha antiga vida.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A vida real.

Levantei-me desnorteado achando já ser muito tarde, o sol lá fora parecia quente e pra mim isso era o suficiente para achar que poderia ser umas onze horas; mas claro não era, eu sempre errara essas coisas, deveria não me guiar muito por mim e nem pelo céu que me confudia.
Olhei no relógio, sete e meia da manhã, pensei rápido em todos os meus afazeres que deixei para hoje já que o sono me consumiu ontem, minha cabeça ainda persistia na ideia de que estava muito tarde, por mais que eu olhasse o enorme relógio na sala que marcava agora sete e trinta, era como tivesse horas a mais.
De repente meus olhos ficam a olhar para os ponteiros, aquele olhar de incompreensão que os cachorros fazem as vezes, ali estava eu com cara de cachorro, sem entender porque se passava na minha mente que era tarde, mas não era. Andei até a porta ainda olhando para o relógio, estava chovendo leve, o ar frio fazendo com que arrepiassem os pêlos de meu braço, espreguiço-me com vontade de voltar a dormir de novo, deixar tudo pendente, mas esta é a vida real, você tem um horário para acordar, para tomar café, horário para engolir seus remédios...
respirar, andar, mas você está atrasado, então tem de correr, e as horas te alarmam mais então você corre mais, não há tempo para chegar e tomar água, coloca suas pastas na mesa, liga o computador; sem tempo para bom dias, gentilezas, afinal, ao chegar em casa toda aquela correria dói nas suas pernas, no seu corpo. Eu ainda estava olhando as gotas da chuva caírem mais lentas, tocando o chão, pensar na vida era muito vago, pensar na chuva era melhor...
Quando ela atravessam raspando atrás de suas costas, tão rápidas querendo lhe acertar, mas não conseguem, pelo menos não esta.
Mas chega a gota vitoriosa, que passa por todas as outras e alcança sua blusa fina, e passa a gelar não só sua coluna mas todo o seu corpo, e o que nós fazemos?
Agora eu estou rindo por pensar que nunca tinha me dado conta de quantas raivas já tive por isso acontecer, por pisar numa posa, por tropeçar numa calçada, pelos pingos de chuva me atacam. Voltei a realidade, agora sim estava tarde, consegui terminar tudo que tinha de ser terminado, e saí na chuva, prestando atenção as calçadas, as poças, e principalmente gelado pelas gotas de chuva, porém quente por dentro, aquecido, eu sei agora porque estava tarde demais para tudo, a única coisa que não fez tudo se tornar tão tarde e tão alarmante é que eu acordei do pesadelo, de estar preso as horas e as obrigações, e parar um tempo para abrir um pouco a cortina de meus olhos, apreciar o frio, a chuva, apreciar uma vida nova, a nova vida real.

Inspiração para texto e título do livro A Vida Real de Fernando Sabino.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Auto reflexão.


Olhando para mim, tentando falar como eu sou se eu fosse outra pessoa,
como eu seria se não fosse do jeito que sou.
Somos como reis, nós que decidimos quem morre e quem vive, eu que devo dizer o que em
mim está morto, o que devo deixar viver.
Ah como seria mais fácil falar de si se fôssemos uma atriz que gostamos, ou o poeta que mais se prefere, porque todos eles teriam qualidades que eu não tenho [ou algo assim] e que gostaria de ter.
Então o melhor é aceitar-se da forma que se é, sabendo que você próprio pode mudar o que acha que deve mudar...

O reflexo de si é o mais difícil de se falar, é falar a você o que te machuca, você planeja uma mudança que talvez nunca aconteça pelo fato de não saber como, nem honestamente o porque disso. Isso é uma confusão que nossa própria mente projeta e está visível em nossos olhos para todos verem, mas não estão totalmente a mostra, só suas palavras te denunciam por inteiro, e te ferem igualmente.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Adoro, adoro, adoro.

"...Você é igual à decadência refletida em tudo. Todos fazemos parte da mesma podridão. Somos o único lixo que canta e dança no mundo.Você não é sua conta bancária nem as roupas que usa, você não é o conteúdo de sua carteira, você não é seu câncer de intestino, você não é seu café com leite, você não é o carro que dirige nem suas malditas gatinhas.Você precisa desistir. Você precisa saber que vai morrer um dia. Antes disso, você é um inútil. Será que nunca serei completo?..."

retirado do filme Clube da Luta.